algumas pessoas são capazes de nos fazer feliz pelo simples fato de existirem. nós não precisamos receber um abraço ou um sorriso delas, não precisamos desabafar nossos problemas com elas para nos sentir melhor, não precisamos receber um parabéns e olhares de admiração muito menos contar para elas como foi nosso dia.
tenho sofrido seriamente de work desillusion nas últimas semanas, e em tempos difíceis como esses, sagmeister me faz muito feliz. assistir seus vídeos, ler notícias sobre o livro mais lindo, saber que é possível unir design & felicidade em algum lugar do mundo, imaginar que a vida é bem mais leve de se carregar do que parece e que a broken heart, is just a broken heart. sempre existirão pessoas que vão tentar colocar você pra baixo, e sempre existirão pessoas que vão tentar colocar você para cima, mas quem decide para onde quer ir é você. sagmeister aprendeu que dinheiro não traz felicidade, eu aprendi que nem compra. e aproveito para divir com vocês um pouquinho dos encantos desse designer. são só vinte minutinhos, mas vale pelo sorriso de um dia inteiro.
2.7.08
1.7.08
27.6.08
help, i need somebody.
alguém me salva do desespero de querer morrer todo santo dia antes de abrir os olhos e dar o primeiro respiro?
18.6.08
meu coração é seu.
foto: deaesse blog já existe há algum tempo, mas nunca foi minha casa de verdade. ele sempre funcionou mais como uma casa de veraneio para dois, aonde você vai quando precisa fujir dos problemas ou inventar coisas novas para se preocupar. depois que o neto voltou de viagem (e isso aconteceu há muito, muito tempo atrás), eu deixei de precisar da tal casa de veraneio, mas semprei voltei para cá. costume, eu acho. ou boas lembranças, quem sabe.
já faz tanto tempo que eu nem me lembro mais.
porque a fada ignorante que há em mim andou e tem andado distante, sonhando, correndo atrás e fazendo força para sobreviver na aridez de um mundo feito de gente grande. a bem da verdade é que agora eu tenho um sonho, um bom motivo para levantar da cama todos os dias, pelo menos até fazer vinte e sete anos (é minha gente, sonho também tem data de validade). e como esse é um sonho que se constrói com a cabeça, eu resolvi deixá-lo no saco de gatos e mudar meu coração de mala e cuia para cá. por que esse blog aqui não é feito de sonhos e nem é escrito com a cabeça, ele pulsa junto com o meu coração.
agora, é aqui que vou morar. e você é e será sempre muito bem-vindo(a).
24.10.07
apêndice da humanidade.
foto: mr kuprimeiro dia de aula na sala de recuperação dos palavrões pronunciados, a fada decidiu ela mesma se ensinar a ser uma pessoa melhor. o coelho da alice corria desesperadamente pelos cantos, tic-tac, tic-tac, e a fada ignorante agora estava decidida a se tornar madrinha. seu coração havia tirado férias, e ela precisava encontrar alguém para cuidar, proteger e realizar os pedidos enquanto ele não voltava, assim a fada já ia treinando e deixando de tanta ignorância. ei, você aí em frente ao computador, você precisa de uma fada? você de camiseta amarela, não quer uma fada? mas o mundo estava cheio de desilusões, e a fada ignorante pensou que, se ela fosse um palavrão, todo mundo ia precisar dela pelo menos de vez em quando. porque numa época como essa, em que todo mundo que tem um blog ou aparece na televisão vira artista, as entidades fantásticas passam despercebidas no meio de tanta gente imaginária.
a televisão não quer desligar. alguém chame os bombeiros.
20.8.07
minha bicicleta rosa choque.
ai não, a fada agora deu pra sonhar depois de mudar de planos. síndrome da ignorância pós-moderna: é melhor fazer tudo ao mesmo tempo e dar errado do que ficar parada num canto filosofando. vontade de viver de projetos é o que não falta, mas a fada deveria é descer de patente, porque até agora só consegue enxergar os próprios desejos.
a fada já sacudiu a poeira várias vezes, deu a volta por cima umas outras tantas. ela sonha em italiano mas faz aulas de grego. no fundo ela até quer mesmo ser uma fada, mas acha isso de voar sozinha nas noites vazias de estrelas muito chato.
ela não foi. e ele explodiu numa sexta-feira à noite.
a fada já sacudiu a poeira várias vezes, deu a volta por cima umas outras tantas. ela sonha em italiano mas faz aulas de grego. no fundo ela até quer mesmo ser uma fada, mas acha isso de voar sozinha nas noites vazias de estrelas muito chato.
ela não foi. e ele explodiu numa sexta-feira à noite.
6.8.07
sacodindo a poeira.
ignorante que era sobre assuntos da vida e do coração, a fada continuava cismada com isso das coisas darem certo. porque no auge dos seus vinte e poucos anos de vida ela tinha elaborado uma teoria baseada na lei universal dos pensamentos quânticos que diz que tudo o que acontece uma vez nem sempre acontece de novo, mas tudo o que acontece duas vezes acontecerá uma terceira. e segundo seus cálculos não é possível que as coisas ainda estivessem em ordem, sem caquinhos de coração esparramados pelos vinte e oito cantos da casa. e se a lei universal dos pensamentos quânticos não fosse o suficiente para comprovar sua teoria, a fada era capaz de escrever uma tese embasada na entropia dos sistemas e na termodinâmica. como assim as coisas continuavam dando certo? a fada sabia muito bem que para ela estar feliz assim, de bem com a vida assim, fiel assim, compreensiva assim, sonhando assim, alguma coisa tinha que estar errado do outro lado do seu coração espelhado. alguém precisa garantir o equilíbrio do amor à segunda vista. alguém precisa. alô, alguém. você está me ouvindo?
O coração deu dois passos para trás, mas o teto não desabou.
O coração deu dois passos para trás, mas o teto não desabou.
19.3.07
tudo dorme.
a fada tentava guardar as lembranças da pressa na parada de ônibus. e escondia as migalhas da noite anterior pela sala. tão ignorante ela tentou matar sua própria alma, numa ânsia louca de acabar com os círculos e com o destino, coisas tão particulares do espírito que se derramava vida afora mesmo sem se saber. a fada sabia que era sozinha no mundo, como todas as criaturas que nascem e morrem todos os dias. tinham lhe dito que a felicidade só depende de suas duas pernas e de seus dois braços para ser construída. mas que grande bobagem! ela sabe muito bem que não existe felicidade. o que existe é a palavra felicidade, como se inventar neologismos fosse a mesma coisa que criar sentimentos e objetivos de vida. segundo o dicionário a felicidade é um estado, e estados não são, não existem, eles nascem pela necessidade de se ter alguma certeza para levantar de manhã cedo da cama. decidiu roubar frases em vez de inventar. e não desejava mais a felicidade porque a sabia impossível. para onde vão as coisas depois que morrem? não as coisas materiais, mas as inventadas. quando uma certeza morre, onde ela é enterrada?
as portas devem sempre ficar fechadas, até chegar a hora de dormir.
as portas devem sempre ficar fechadas, até chegar a hora de dormir.
12.3.07
11.3.07
14.2.07
a fada ignorante orgulhosante apresenta: pecado capital

a vontade nasceu de onde sempre existiu. e o desejo construiu uma geladeira recheada de farofino tradicional de chocolate, com suas duas maravilhosas camadas de farofa crocante do américa e bastante chantilly escondendo o sorvete e escapulindo entre uma colherada e outra, entre uma boca e outra, entre uma língua e vários centímetros quadrados de pele. várias colheradas, lambidas e farofinos depois, o corpo se entregou aos prazeres da endorfina, imóvel e ofegante, imerso em sonhos, sensações, estórias e passagens. preso a cada toque e a cada pessoa que por ele passou, abrindo as pernas para orgasmos apaixonados, orgasmos fingidos, quase orgasmos e coitos interrompidos.
29.1.07
faxina.
a fada ignorante resolveu por ordem em seu coração. porque viver de mau-humor não dá, né? e também, ela cansou de ver o ônibus passando no ponto faltando só um quarteirão para ela chegar. depois ela tem que ficar lá, sentada, esperando a boa-vontade dos outros ônibus, contando os minutos no relógio dos outros e sentindo que o tempo era perdido. como ela é ignorante, não sabe muito bem o que o lance com o ônibus tem a ver com seu coração. mas ela acredita que tem, e agora já começou a faxina e pronto.
14.1.07
sexus. plexus. nexus.

ele colocou a mão embaixo do elástico da calcinha da fada e puxou para si o desejo que palpitava dentro dela. nem depois de assistir a filmes cheios de sussurros e gemidos, ler nas páginas de revistas femininas o quão raro e prazeiroso poderia ser e escutar atentamente as explicações de seu professor de ciência a fada poderia imaginar que seria tão bom. porque bom é pouco. bom é assistir filme abraçado comendo pipoca e adormecer nos braços dele. quando ele tocou nela pela primeira vez, todos os pêlos de seu corpo se levantaram, como que para escutar um segredo. e a fada ignorante sabe que é clichê, mas mesmo assim ela insiste em dizer que nunca imaginou que pudesse ser tão bom desse jeito, que alguém pudesse conhecer tão bem o contorno e as reentrâncias de seu corpo, e adivinhar as vontades de cada milímetro de pele e mucosa.
8.12.06
na loteria.
a fada ignorante no começo ficou desconfiada. ninguém joga por aí uma coisa tão preciosa do jeito que ele estava jogado. mas é fato, quando conheceu ele, é assim que estava, jogado. ela tinha dois esparadrapos no coração e não sabia se queria mais. os esparadrapos estava jogado, que nem ele. quando recebeu os esparadrapos de presente, ela não sabia onde colocar, então abriu o coração e jogou lá dentro, pra decidir o que fazer só depois. como os esparadrapos e ele estavam jogados, ela decidiu catar e ficar com os dois. ela deu carinho e fez amor. hoje a fada não tem mais esparadrapo no coração. e nem ele está por aí jogado. hoje ele tem dona, tem uma quase casa, tem carinho e tem sonhos, desses que só dá pra ter juntos.
16.11.06
confortably.numb
[ou me empreste suas penas]
tem feridas no corpo da fada que não criam casquinha nunca. elas não saram. defeito congênito do sangue da fada ignorante. vez ou outra elas voltam a doer, latejam e abrem um pouquinho mais a distância que separa um pedaço de pele do outro. há dois dias o corpo da fada está cheio de queimaduras do passado que não têm cura, e não tem ópio, não tem realidade alternativa nem futuro feliz que faça a tristeza sarar. cada dia a fada afunda um pouquinho mais no desespero de se sentir pequena e desamparada. foi sempre assim, ela fica tão pequenininha que as pessoas não conseguem vê-la, senti-la ou se importar com ela. durante o sono, o amor fez um buraco enorme no coração da fada. mal sabia ele que o buraco não ia fechar nunca. porque tem dias em que a gente acorda se sentindo a pessoa mais feia do mundo. e hoje a fada só queria se sentir apenas a pessoa mais feia do mundo.
o tempo passou e a dor ficou.
tem feridas no corpo da fada que não criam casquinha nunca. elas não saram. defeito congênito do sangue da fada ignorante. vez ou outra elas voltam a doer, latejam e abrem um pouquinho mais a distância que separa um pedaço de pele do outro. há dois dias o corpo da fada está cheio de queimaduras do passado que não têm cura, e não tem ópio, não tem realidade alternativa nem futuro feliz que faça a tristeza sarar. cada dia a fada afunda um pouquinho mais no desespero de se sentir pequena e desamparada. foi sempre assim, ela fica tão pequenininha que as pessoas não conseguem vê-la, senti-la ou se importar com ela. durante o sono, o amor fez um buraco enorme no coração da fada. mal sabia ele que o buraco não ia fechar nunca. porque tem dias em que a gente acorda se sentindo a pessoa mais feia do mundo. e hoje a fada só queria se sentir apenas a pessoa mais feia do mundo.
o tempo passou e a dor ficou.
24.10.06
feliz, amor. feliz.
era aniversário dele. o primeiro aniversário dele morando com ela. desde quando a bancada do computador dele resolveu se mudar para o apê da cardeal, em frente ao cemitério, a idéia fixa de amá-lo cada vez mais não saía da cabeça da fada. mas a neurose virou psicose obsessiva-compulsiva com a chegada do dia 22. ele era do último dia de libra, ainda bem, porque se fosse do primeiro dia de escorpião a fada tinha quase certeza de que eles não iriam combinar assim tão bem. ela fez uma lista imaginária e se preparou para colocar planos em ação. ela iria conquistar o mundo para ele. comprar presentes escondido, fazer brincadeiras e fazer surpresas. mas ele tem um sexto sentido danado, sentiu as surpresas chegando e correu para lá. foi tanto desespero para o pobre coraçãozinho da fada que ela meteu os pés pelas mãos e fez da noite uma conversa pesada, com um tantinho de chuvisco no céu. nada que uma marguerita frozen e várias canecas de chopp não curem. nada que sorrisos sem embrulho de presente não façam passar. ainda bem. ainda bem.
16.10.06
dezesseispontodez
a noite levou os desejos, o sorriso e o espanto da fada. a cara ficou estilhaçada, junto com as palavras que voaram e caíram partidas em sílabas. no final da noite, ninguém mais queria ser o dono da verdade. quando dois corações que se amam se magoam, a razão faz as malas e tira férias do paraíso. fica lá com a cara na vidraça até a raiva passar. até o silêncio deixar só um rastro de tristeza e levar a amargura para a estação rodoviária, para o ponto de táxi, para um mundo distante, para uma das luas de saturno.
10.10.06
sobre os jardins.
eu poderia inventar uma vida com final feliz para mim em qualquer uma daquelas casas bonitas.
1.10.06
quase lá.
a fada aproveitou para postar o que quisesse. fazia uma semana que ele não olhava para os pensamentos que a vida dela levava, o que significava que dava tempo de ela postar o que quisesse, se arrepender ou não, apagar, e ele nem iria saber. como ele não sabia também que a noite que ela disse que ia passar dançando ela ficou chorando. como ele também não conseguia enxergar toda a tristeza que estava por trás daquele dia-a-dia. não foi só o pé de arruda que morreu, não foram só as novidades da quarta-feira que passaram. a vida também passava todo dia. e embora a fada quisesse achar um culpado, a tristeza estava dentro dela. não havia nada que ele ou a vizinha de cima pudessem fazer. presente nenhum no mundo poderia comprar um sentimento, apesar da dor de tudo o que ele pensava ficar presa dentro dela. ele sempre lia o signo dele, mas nunca parou para ouvir o que o signo da fada realmente queria dizer com a tal lua brigando com o ascendente, sem sol em saturno, sem sol em lugar algum na grande são paulo.
a casa está azul. e não há tintas para pintar as paredes.
a casa está azul. e não há tintas para pintar as paredes.
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