diferente dos anjos, as fadas possuem sexo, escondido na forma de um segredo que só elas vêem. mas dizem que não possuem idade, para que se esqueçam nos dias, para que esqueçam o número de desejos realizados, para que esqueçam sua própria vida e, assim, aprendam a viver pelos olhos da vida de seus escolhidos. as fadas também não possuem desejos, caso os tivessem, não sobraria tempo para realizar os sonhos de outras pessoas, de tão ensimesmadas com seu próprio umbigo que ficariam.
ser fada é viver em um constante estado de loucura, sem a menor proximidade com a realidade, porque é preciso liberdade para criá-la, e inventar uma vida requer boa dose de psicose. é assim, no auge de sua própria loucura, que uma fada cai e encontra o seu escolhido. ela despenca lá do alto da sua esperança, sempre em uma noite quente, quando imagina um dia poder se transformar em alguém, poder se apaixonar, poder cuidar de sua própria vida e esses tipos de pensamentos que às vezes nos acometem (e também às fadas) mesmo sabendo que são impossíveis de serem realizados.
a nossa fada, mal aprendeu a acreditar, e já foi logo desacreditando em seus sentimentos. foi quando um sopro de gente passou por perto e levou todo o pouco conhecimento que ela tinha. a fada ficou ignorante. se ensimesmou, calou na esperança de que ninguém notasse. outras fadas que passavam por perto olharam, deram uma piscada de olho e riram. mas a fada ignorante tinha terminado um de seus primeiros trabalhos, e as fadas sempre parabenizam umas às outras com rápidas piscadelas de olho e sorrisos. então, ela achou que fosse apenas um elogio, um parabéns qualquer, a celebração de um trabalho que ela nem lembrava mais, o sonho de uma pessoa que um dia a fada amou, mas passado o tempo e completada a missão, logo esqueceu. ficou só a certeza de que ninguém tinha notado o que aconteceu.
suspiro. a fada ignorante começou a sonhar que virava uma pessoa, que se apaixonava, que possuía uma vida. ela voava alto, a noite estava quente e ela logo caiu. encontrou seu escolhido. mas agora a fada era ignorante, e não quis acreditar.
para ler ouvindo:
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7.9.11
24.4.11
de malas prontas
muito já foi feito por aqui, é verdade. e cada linha editorial adotada teve uma vida tão efêmera quanto um desejo de criança, que some para dar lugar às novas descobertas.
já pensei em deletar esse blog várias e várias vezes, mas fico sempre com o incômodo de apagar uma parte da minha vida, e sofro um pouquinho com o pensamento de tirar a vida desse personagem criado por mim. uma fada que pouco sabe, e que para viver precisa das minhas descobertas.
se faltam culhões para deixar o que existe para trás, então é necessário ter culhões o bastante para levá-lo consigo.
e assim, hoje minha fada parte em busca de coisas sublimes, sorrisos que só as pessoas mais especiais podem dividir e ensinar. nesse caminho, ela não aprende mais comigo, chegou a minha vez de assumir a metade ignorante do meu ser. a cada encontro, uma pessoa querida, uma trilha sonora e pequenos sonhos perdidos. você vem?
já pensei em deletar esse blog várias e várias vezes, mas fico sempre com o incômodo de apagar uma parte da minha vida, e sofro um pouquinho com o pensamento de tirar a vida desse personagem criado por mim. uma fada que pouco sabe, e que para viver precisa das minhas descobertas.
se faltam culhões para deixar o que existe para trás, então é necessário ter culhões o bastante para levá-lo consigo.
e assim, hoje minha fada parte em busca de coisas sublimes, sorrisos que só as pessoas mais especiais podem dividir e ensinar. nesse caminho, ela não aprende mais comigo, chegou a minha vez de assumir a metade ignorante do meu ser. a cada encontro, uma pessoa querida, uma trilha sonora e pequenos sonhos perdidos. você vem?
18.5.10
dezoito.
nos dias em que as verdades desabam sobre a cabeça parece que nunca se vai chegar do outro lado do rio, na outra margem, onde a grama é tão verde quanto essa, mas tem um balão colorido que vez por outra leva as pessoas para verem o mundo lá de cima.
nessas horas me pergunto, até onde a força de uma pessoa há de aguentar?
nessas horas me pergunto, até onde a força de uma pessoa há de aguentar?
18.4.10
da semana que passou.
back to the future.
deixei minha lista em algum lugar.
enquanto a casa desmorona tento pelo menos colocar o próximo ano em ordem. porque essa vida de formiga um dia ainda acaba comigo. ou eu acabo com ela [assim espero].
lembro da blusa que dizia "all you have to do is dream". mas é mentira, só sonhar já não basta mais.
23.3.10
sobre a morte e a última semana.
poft! as pessoas dobram a esquina e morrem. uma pena que sempre morram as pessoas erradas. mas essa semana há de se ter o consolo de que o universo entra em sincronicidade para reinventar seu animus. então pelo menos até esse sábado as mulheres estão a salvo. ufa.
21.3.10
porque hoje é domingo [ainda]
já foi-se o tempo em que bicho gente conseguia tirar minha noite de sono. pensando bem, algumas entidades que se dizem pessoa não podem ser consideradas bicho de forma alguma, por isso seguem amorfas na vida.
vai ler meu filho, antes que o véu da ignorância tome conta do seu corpo inteiro.
tem gente [bicho ou não] que acredita em destino. eu não. acredito apenas em órbitas e spins. porque é possível mudar, mas não sem alterar tudo o que existe ao nosso redor.
vai ler meu filho, antes que o véu da ignorância tome conta do seu corpo inteiro.
tem gente [bicho ou não] que acredita em destino. eu não. acredito apenas em órbitas e spins. porque é possível mudar, mas não sem alterar tudo o que existe ao nosso redor.
5.2.10
a cama fica dura toda vez que se esvazia. e o telefone começa a sorrir pra mim com um ar debochado. às vezes as coisas deixam de existir e ninguém se dá conta. é isso o que acontece com a cama exatamente três minutos antes d'eu entrar em casa. a a máquina de lavar louça na sala se torna o maior pretexto no qual consigo pensar para meu coração continuar batendo [por ti].
agora me diz, qual é o gosto da derrota?
agora me diz, qual é o gosto da derrota?
23.1.10
aqui jaz.
os pensamentos têm vida própria. e, assim como eles, as perguntas também. no meio da noite de hoje, algumas insistiram em parar no bar e sentar na mesma mesa que eu.
* desde quando se masturbar pensando em alguém deixou de ser elogio?
* porque só se é feliz beijando um homem? mulheres não possuem boca também?
* quando foi a última vez que você viveu um dia que valeu à pena?
* por onde andam as coisas pequenas da vida?
antes que eu pudesse falar com qualquer uma delas, se embreagaram com meia dose de cachaça e saíram pra passear.
* desde quando se masturbar pensando em alguém deixou de ser elogio?
* porque só se é feliz beijando um homem? mulheres não possuem boca também?
* quando foi a última vez que você viveu um dia que valeu à pena?
* por onde andam as coisas pequenas da vida?
antes que eu pudesse falar com qualquer uma delas, se embreagaram com meia dose de cachaça e saíram pra passear.
12.12.09
o menino
Ele nasceu de nove meses, como era o esperado. Pesava três quilos e trezentas gramas mas tinha um coração maior do que o cérebro e um sonho de meia tonelada preso em seus pulmões. Precisou gritar para colocar o sonho pra fora, ou morreria sufocado. Seus pais não entenderam nada, mas o médico disse que era normal. Todas as crianças quando nascem têm um sonho preso dentro do pulmão e precisam dar um berro bem alto para colocá-lo pra fora. Se quando nasce a criança não berra, o médico precisa dar um tapa em suas costas, ou ela pode morrer sufocada com o sonho, que infla com as primeiras moléculas de oxigênio a entrar em suas narinas.
Mas quando os sonhos se soltam dos alvéolos pulmonares não cabem mais em lugar nenhum do corpo, e por isso sempre ficam esquecidos bem no fundo da alma. Pensando bem, não poderia existir um lugar mais bonito do que esse para um sonho habitar durante a vida inteira. Seria um começo bonito, não fosse o fato de as pessoas viverem com seu cérebro e coração, não com sua alma, e por isso muita gente morre sem nunca ter chegado se quer a conhecer o sonho que habitou nelas durante um vida toda, seja ela longa ou do comprimento de uns poucos anos apenas.
Eu sei disso porque já vi muitas pessoas morrerem com um sonho lindo esquecido bem no fundo da alma. É tão triste e bonito ao mesmo tempo, que o ar para de soprar, o universo inteiro fica em um silêncio esquisito, sem entender como pode um sonho tão grande ser esquecido por um corpo bem pequeno. Sim, porque mesmo os corpos que as pessoas consideram maiores, com um metro e noventa de altura, ou maior ainda como aquele rapaz de dois metros e setenta e quatro centímetros que morreu tão novo antes mesmo de ter tempo para entrar na faculdade e se formar em direito como tanto planejou (bom, pelo menos ele entrou para o guiness, o que não foi muito bom para ele mas já foi alguma coisa), sim mesmo essas pessoas possuem um corpo muito, muito pequeno diante da grandiosidade de um sonho, por menor que ele seja. E olha que eu já vi sonhos muito pequenos, menores do que um grão de areia perdido em São Paulo ou na Cidade do México. Um sonho como esses de ganhar na mega-sena, ficar famoso nem que seja no Big Brother, passar em um concurso público ou conseguir uma promoção na maior multinacional do país. Também já vi sonhos um pouco maiores, como ter filhos inteligentes & saudáveis, encontrar um sentido para a vida que se leva, ter o que comer todas as noites antes de dormir e aprender a ler & escrever. Mas sonhos não são nada fáceis de carregar, e acredito que é por isso mesmo que as pessoas preferem esquecê-los. Pronto, ninguém pediu minha opinião, mesmo assim eu já fui logo me metendo e dei.
Mas não é do sonho das outras pessoas que eu quero falar pra você, essa história é sobre o sonho de um menino lindo e quase loiro, esse menino que eu apresentei para vocês no comecinho da história. O menino mais lindo da cidade, feito de distração e ternura, nasceu com dois olhos cheios de poeira de anjo, para enxergar aquilo que as outras pessoas não conseguem imaginar. O sorriso era de algodão-doce e, por isso, às vezes desmanchava fácil (vocês vão descobrir muito em breve). O coração era feito de todos os desejos que sua família e a família da sua família já tiveram, e por serem tão diversos, não tinham nem um ângulo reto e viviam incongruentes dentro dele. Também não fazia diferença, porque coração não foi feito para entender, foi feito para bater, e apanhar também de vez em quando.
Pois bem, o nosso Menino nasceu e berrou bem forte , arremessando seu sonho com toda a força que um ser humano é capaz, para ir parar numa profundeza tão lá no fundo que nem com máquina de escavação seria capaz de se pegar. O Menino chorou de tristeza, não queria se desfazer de um sonho tão bonito assim, feito de uma mistura de coisas desconhecidas com noites em claro e aquela esperança linda na qual só um sonhador acredita. Ele pensou que não conseguiria nunca mais ver seu sonho de novo, quanto mais realizá-lo, e por uma fração de segundos o Menino abriu com toda a força que tinhas os seus olhos, para ver o sonho bem direitinho e decorar como ele era, e ele desejou com todas as forças poder ficar com o sonho na cabeça para lembrar pra sempre dele, ou pelo menos no coração, para guardar com carinho uma parte tão preciosa do seu ser. Ele desejou em pensamento em alto, e nem se deu conta de que ela estava passando por perto e ouviu tudo.
soraia não era uma lacraia.
era uma vez uma lagartixa que sonhava um dia se tornar estrela de filme pornô. ela tinha um rabo grande que chamava a atenção por onde passava, mas não era o suficiente. ela tinha dois olhos de ressaca, que não piscavam como se fossem o primeiro dia da criação, mas vibravam no ritmo que um estrela pornô deve fazê-lo. ela era gélida, úmida, rápida & implacável. gostava de um chinelo. sabia contar mississipi e falar doze palavras em alemão.
morreu antes do tempo e antes do gozo. mas dizem que mesmo assim será premiada este ano em berlim.
1.12.09
una biografia corta.
clara l. é una ragazza che puo vedere solo le cose gialle. lei sogna essere una mielle piede nelle notti piu calde de estate. non c'e bugia in sua scatola dei pensieri, ne anche amore risparmiato nell cuore. le piage il suono della popcorn a scoppiare e la acqua calda per prendere bagno nell'inverno. non le piage svegliar-se presto, ne anche mangiare alimento freddo. lei há tre occhi: due per guardare il mondo e uno per guardare lei stessa.
p.s. saudade das aulas de italiano e sonho de doutora.
p.s. saudade das aulas de italiano e sonho de doutora.
18.11.09
sobre o sumiço.
para quem ainda não sabe, as fadas folgam sempre às quartas-feiras. e sofrem. porque sem desejos para realizar as fadas não são ninguém. e não é no sentido figurado que estou falando. elas simplesmente espocam como uma bolha de sabão no ar.
mas voltam sempre a existir de novo às quintas-feiras.
mas voltam sempre a existir de novo às quintas-feiras.
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