24.10.06

feliz, amor. feliz.

era aniversário dele. o primeiro aniversário dele morando com ela. desde quando a bancada do computador dele resolveu se mudar para o apê da cardeal, em frente ao cemitério, a idéia fixa de amá-lo cada vez mais não saía da cabeça da fada. mas a neurose virou psicose obsessiva-compulsiva com a chegada do dia 22. ele era do último dia de libra, ainda bem, porque se fosse do primeiro dia de escorpião a fada tinha quase certeza de que eles não iriam combinar assim tão bem. ela fez uma lista imaginária e se preparou para colocar planos em ação. ela iria conquistar o mundo para ele. comprar presentes escondido, fazer brincadeiras e fazer surpresas. mas ele tem um sexto sentido danado, sentiu as surpresas chegando e correu para lá. foi tanto desespero para o pobre coraçãozinho da fada que ela meteu os pés pelas mãos e fez da noite uma conversa pesada, com um tantinho de chuvisco no céu. nada que uma marguerita frozen e várias canecas de chopp não curem. nada que sorrisos sem embrulho de presente não façam passar. ainda bem. ainda bem.

16.10.06

dezesseispontodez

a noite levou os desejos, o sorriso e o espanto da fada. a cara ficou estilhaçada, junto com as palavras que voaram e caíram partidas em sílabas. no final da noite, ninguém mais queria ser o dono da verdade. quando dois corações que se amam se magoam, a razão faz as malas e tira férias do paraíso. fica lá com a cara na vidraça até a raiva passar. até o silêncio deixar só um rastro de tristeza e levar a amargura para a estação rodoviária, para o ponto de táxi, para um mundo distante, para uma das luas de saturno.

10.10.06

sobre os jardins.

eu poderia inventar uma vida com final feliz para mim em qualquer uma daquelas casas bonitas.

sobre a noite

a casa está cheia de matéria-prima para os sonhos.

1.10.06

quase lá.

a fada aproveitou para postar o que quisesse. fazia uma semana que ele não olhava para os pensamentos que a vida dela levava, o que significava que dava tempo de ela postar o que quisesse, se arrepender ou não, apagar, e ele nem iria saber. como ele não sabia também que a noite que ela disse que ia passar dançando ela ficou chorando. como ele também não conseguia enxergar toda a tristeza que estava por trás daquele dia-a-dia. não foi só o pé de arruda que morreu, não foram só as novidades da quarta-feira que passaram. a vida também passava todo dia. e embora a fada quisesse achar um culpado, a tristeza estava dentro dela. não havia nada que ele ou a vizinha de cima pudessem fazer. presente nenhum no mundo poderia comprar um sentimento, apesar da dor de tudo o que ele pensava ficar presa dentro dela. ele sempre lia o signo dele, mas nunca parou para ouvir o que o signo da fada realmente queria dizer com a tal lua brigando com o ascendente, sem sol em saturno, sem sol em lugar algum na grande são paulo.

a casa está azul. e não há tintas para pintar as paredes.