15.9.09

[imagem gentilmente roubada daqui]

viver de delicadezas não é tarefa das mais fáceis. porque em dias nublado a fada acordava ouvindo sua própria voz e tentava decorar as letras para não se atrapalhar com perguntas improvisadas. seria mesmo verdade isso que os japoneses e chineses haviam escrito sobre o bem & o mal estarem dentro de nós e por isso não precisarmos escrever as regras do jogo? a fada queria fazer essa pergunta para alguém, mas as escrituras sagradas eram também proibidas.

10.9.09

do que não se é.

logo em sua primeira aula do módulo avançado a fada ignorante descobriu que não sabia ser opacada, leitosa, aquela coisa indefinida que não sabe o que é e esconde o que há dentro. e uma ponta de desespero e dúvida brotou do lado esquerdo da sua alma. como seria possível existir uma fada que não mente e não esconde seus segredos dos alheios? porque todo mundo sabe que, para fazer uma mágica de verdade, é necessária uma boa dose de mentira.
de repente a fada se sentiu sozinha, perdida em um mundo que não pertencia a ela. e para sair de lá ela sabia que era peciso ser transparente e brilhar como nunca, ou então ela se confundiria com a paisagem, até virar folha, até virar pedra, até virar pó.