25.3.10

sobre nada.


com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
tudo que não invento é falso.
há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
é mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
a inércia é o meu ato principal.
há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
o artista é um erro da natureza. beethoven foi um erro perfeito.
a terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
por pudor sou impuro.
não preciso do fim para chegar.
de tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — como um lápis numa península.
do lugar onde estou já fui embora.

[manoel de barros]

23.3.10

sobre a morte e a última semana.

poft! as pessoas dobram a esquina e morrem. uma pena que sempre morram as pessoas erradas. mas essa semana há de se ter o consolo de que o universo entra em sincronicidade para reinventar seu animus. então pelo menos até esse sábado as mulheres estão a salvo. ufa.

21.3.10

porque hoje é domingo [ainda]

já foi-se o tempo em que bicho gente conseguia tirar minha noite de sono. pensando bem, algumas entidades que se dizem pessoa não podem ser consideradas bicho de forma alguma, por isso seguem amorfas na vida.
vai ler meu filho, antes que o véu da ignorância tome conta do seu corpo inteiro.

tem gente [bicho ou não] que acredita em destino. eu não. acredito apenas em órbitas e spins. porque é possível mudar, mas não sem alterar tudo o que existe ao nosso redor.